“Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria…”

Este trecho é do livro de São Paulo, na Bíblia Sagrada, mais especificamente na Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 13, versículo 1.

“…O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente…”

Esse trecho é uma estrofe de um poema do escritor português Luís de Camões. Ele é conhecido por ser um dos maiores expoentes da literatura portuguesa e autor de obras como “Os Lusíadas”.

A canção “Monte Castelo”, de Renato Russo, mescla e adapta trechos dessas duas obras, que são referências da Bíblia e da literatura, para construir uma reflexão sobre o significado do amor.

Esse título é uma homenagem aos soldados brasileiros que lutaram e conquistaram a cidade italiana de Monte Castelo na Batalha de Monte Castelo na Segunda Guerra Mundial. A vitória foi decisiva para a expulsão das tropas nazistas da região.

A letra dessa belíssima canção, explora a natureza do amor, destacando que apenas o amor é capaz de construir e dar sentido à vida, mesmo em meio à desordem.

A música defende que a verdadeira transformação ocorre pela vivência do amor, não apenas pela sua definição. E propõe que somente o amor é capaz de entender, construir e trazer sentido à vida, sendo a força capaz de superar as contradições e as dificuldades.

E o que é o amor?

É uma emoção positiva, de natureza agregadora, é a “pérola da humanidade”.

Faz parte da nossa natureza intrínseca mas muitas, pelas adversidades da vida, ficou encarcerada pelo “modo defensivo de existir”.

A pérola é a Luz esperando a oportunidade para se mostrar.

Conexões de amor compreendem: respeito, gratidão, confiança, amizade, solidariedade, caridade, aceitação, compaixão e também dedicação a algo, a alguém.

A Terapia do Sentido de Vida (Logoterapia), com suas bases na antropologia, filosofia e psicoterapia amplia a visão do ser humano de corpo-mente para uma terceira dimensão: a dimensão onde repousa tudo que há de “humano” em nós.

Para entender essa dimensão, precisamos compreender as 3 limitações da existência humana e as tarefas existenciais decorrentes (Irving D.Yalom,1980):

  1. Limite do tempo de vida (vida é o intervalo de tempo entre o nascer e o morrer);
  2. Limite de potencialidade e poder
  3. Limite pela presença do outros

Para lidar com os conflitos psicológicos decorrentes dessas limitações preciso aceitar: a minha mortalidade, as limitações de minhas potencialidades e poder e o fato de eu ser apenas uma parte da realidade, existem os outros.

Saber que cada um de nós carrega uma qualidade “única e irrepetível” que nem outro ser humano possui, ou seja, a forma que atuo no mundo é “singular”, por mais que o outro faça “parecido” não é exatamente igual. Significa que precisamos deixar a “nossa marca humana” no mundo.

Que a felicidade é “efeito colateral de nossas realizações” singulares no mundo. A todo momento que entregamos ao mundo a nossa “singularidade”, esse ato de generosidade é a mais pura expressão do amor.

O que é essa “Marca Humana”?

O que está DENTRO da dimensão humana?

Temos a Liberdade e junto com ela a Responsabilidade pelos nossos atos fundamentados em valores humanos universais como o respeito à dignidade humana, a fraternidade, a bondade…

Temos a capacidade de mudar, aprender com os erros, ampliar a nossa Consciência.

O desejo de significado e propósito é uma aspiração humana. Buscamos um “para que viver”. A autotranscendencia significa transcender as limitações pessoais em prol de um objetivo maior como algo ou alguém onde fazemos a diferença na vida daquela pessoa ou causa.

Somos buscadores de sentido na vida, e a vida nos desafia a criar uma comunidade compassiva onde a empatia (tentar entender cognitivamente/emocionalmente o outro) e a compaixão, que vai além da empatia para também auxiliar o outro, em meio a circunstancias adversas e mudanças de humor. É fácil ser bondoso quando tudo corre bem.

Mas o que está FORA da dimensão humana?

Liberdade sem Responsabilidade: licença para fazer o que quiser; o significado é subjetivo e relativo e não leva em conta os valores humanos universais nem tampouco os outros;

Vontade autocentrada: movida por pulsões, hábitos, programação, levados pelo medo e pela ameaça;

Existência não compassiva: a vida chama, nos desafia para mostrar o “único e irrepetível” mas se optarmos pela busca do prazer e do poder que esgotam-se rapidamente, pois não preenche a vontade de sentido cuja principal manifestação é a autotranscendência. Quanto mais entregamos genuinamente, mas o reconhecimento de todos brota espontaneamente. Nosso poço de humanidade transborda e nunca seca. Nossa existência se realiza.

E como amar?

“Comece em você a mudança que quer ver no mundo” Gandhi

Amar a si mesmo desenvolvendo a autocompaixão e expandir a expressão do amor ativo em direção aos outros é uma chave poderosa de transformação do mundo interno e externo.

Precisamos acessar o reservatório interno de amor, transbordando essa energia em direção ao outro vencendo as barreiras que erguemos dentro de nós com medo de amar, quando nos colocamos em 3 modos que impedem amar:

  1. Modo defensivo [luta/fuga/congelamento] em vez do modo engajamento;
  2. Modo distração pelos prazeres em vez de focar atenção nos valores humanos universais;
  3. Modo apego à validação, ao reconhecimento dos outros, em vez de ficar presentes e em contato conosco para captar o significado das situações trazidas pela vida.

3 chaves que ampliam a capacidade de amar:

  1. Presença total: atenção plena e esforço consciente para acessar a “pessoa” profunda em nós e nos conectar com os outros;
  2. Ver a bondade: mudar conscientemente a atenção para reconhecer as qualidades positivas, os pontos fortes e o potencial em nós e nos outros, abrir-se a uma perspectiva mais compassiva e amorosa;
  3. Expressar o amor de forma aberta e sincera. A hesitação surge por medo de rejeição, de vulnerabilidade ou simplesmente pelo hábito de negar afeto. O amor prospera quando é expresso e compartilhado. Posso expressar ativamente o amor através de palavras gentis, gestos, atos de serviço e cuidado genuíno.

Três forças interpessoais de Humanidade que envolvem ajudar e se aproximar dos outros são o amor, a bondade e a inteligência social.
A Terapia do Sentido nos ensina que a a capacidade de amar algo ou alguém é inata no ser humano e pode ser expandida.
A Neurociencia aplicada ao comportamento como a Neurobiologia Interpessoal nos auxilia a usar a “atenção focada intencional” pelo uso da “Roda da Consciência” para cultivar a presença e a conexão com o mundo interno e externo através de 8 sentidos:

  1. Os 5 sentidos: visão, audição, olfato, tato e gustação;
  2. Do 7º sentido: atividades mentais;
  3. Do 8º sentido: interconexões com os outros.

Desenvolvendo uma Mente com MindSight (mente com abertura, observação e objetividade), ampliamos a nossa inteligência emocional pessoal e interpessoal, melhorando nossos relacionamentos com trocas “significativas”.

Dentro da dimensão humana a cooperação é a regra. Não existe lugar para julgamentos, comparações, ausência de responsabilidade ou elogios manipulativos.

Somos humanos, somos vulneráveis. Todos temos limitações de possibilidades e poder , dificuldades em relacionamentos e temos a certeza da finitude de nosso tempo.

A comunicação respeitosa e gentil, expressão pura de humanidade, é não violenta. Na relação com outro ser humano, ela busca observar sem julgar, expressar o sentimento, identificar o que necessita e fazer um pedido claro e objetivo.

Quando nos comunicamos , observando os fatos e o que sentimos e necessitamos e o que a expressão dos sentimentos e necessidades do outro quer nos dizer, fica mais fácil entender o que ele deseja e o que nós precisamos. Podemos fazer um pedido e acordar o que é benéfico para ambos. Assim o Mal não encontra terreno fértil e nem precisamos querer o que é do outro e tampouco achar que somos melhores que os demais.

Amor é Luz, onde ela chega, ilumina o que verdadeiramente importa para a nossa curta existência humana!

“…É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece…”