Classicamente se sabe que existem certos alimentos que podem desencadear enxaqueca.
A pergunta que se faz na Medicina Funcional: é o alimento, é algo no alimento ou é como ele está sendo metabolizado?
Esse é um aspecto realmente muito valorizado nessa abordagem: a conexão entre o intestino, nossa comida e o cérebro.
As enxaquecas estão entre as piores condições que as pessoas podem sofrer. Mas, para a Medicina Funcional, desde que se encontre o desencadeante e se atue sobre ele, pode haver uma solução além do uso de medicamentos. O olhar ampliado da Medicina Funcional que busca a causa-raiz do problema e leva em conta os alimentos como possíveis vilões e a influência do Eixo Intestino-Cérebro, pode fornecer uma saída nessa condição debilitante.
Uma abordagem para um indivíduo com sua apresentação única de enxaqueca requer estratégias individualizadas. Não dá para tratar dois pacientes de enxaqueca da mesma forma porque todos eles têm características diferentes.
Só porque você sabe o nome da sua doença, não significa que você sabe o que há de errado com você.
Há pacientes que apresentam contraturas no pescoço que contribuem para a dor de cabeça tensional que podem ser um fator nas crises de enxaqueca. Outros que apresentam disfunções na ATM (Articulação TemporoMandibular]) seja por problemas na arcada dentária, seja por emoções relacionadas à raiva como no TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) que precisam ser abordadas.
No TEPT há uma desregulação no sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático. A hiperativação simpática com liberação de adrenalina pode exacerbar as dores.
Há pacientes com alergias a alimentos tais como laticínios, glúten, ovos dentre outros, com dificuldades na digestão, outros com intolerância à histamina. Ainda há outros cujo problema está em uma disbiose importante chamada SIBO (Supercrescimento de bactérias no intestino delgado) com liberação de toxinas no intestino que via circulação sanguínea atingem o cérebro provocando neuroinflamação.
Há ainda pacientes com deficiências nutricionais de minerais como o magnésio, importante no relaxamento muscular, vitaminas do complexo B tal como a vitamina B2, importante na produção de energia pela mitocôndria (motor da célula que fabrica energia), a vitamina B6 e B12, fundamentais no processo de metilação. Na metilação, há produção de neurotransmissores como a serotonina, importante na via da dor, humor e do sono; as vias metabólicas de metilação do fígado importantes na desintoxicação do estrogênio produzido pelo próprio corpo também precisa de co-fatores metiladores cuja deficiência podem estar implicados nas enxaquecas relacionadas à menstruação.
Qual é a abordagem tradicional para diagnóstico e tratamento?
Quando você recebe o diagnóstico de enxaqueca, isso apenas descreve que você tem um certo tipo de dor de cabeça com certos tipos de sintomas como sensibilidade à luz, sensibilidade ao ruído, talvez de um lado, talvez sintomas visuais de pré-aura, náusea, vômito. Mas o diagnóstico não discrimina a causa. O tratamento convencional usa basicamente uma terapia para abortar as crises com analgésicos, antidepressivos, anticonvulsivantes, opioides ou, preventivas das crises com betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio. O que já é muito importante porque quando você olha para quem sofre de enxaquecas é muito desesperador os dias perdidos com dor.
A toxina botulínica também entrou nesse rol de tratamento para paralisar os músculos na parte de trás da cabeça.
Qual é a perspectiva da Medicina Funcional?
Na perspectiva da Medicina Funcional temos que lidar com as causas- raiz. Vamos às prováveis causas já estudadas e utilizadas em pacientes com enxaqueca:
- Papel das disfunções mitocondriais;
- Eixo Intestino-Cérebro que inclui desde SIBO (crescimento excessivo de bactérias ruins no seu intestino delgado que estava causando toda fermentação e cria subprodutos tóxicos); o excesso de histamina que podem vir de alimentos, ser produzidas pelas bactérias na SIBO e/ou por deficiência da enzima que degrada a histamina. Quando você olha para algumas pessoas que têm enxaqueca, há certos alimentos que podem desencadear uma enxaqueca. É o alimento que está fazendo isso ou é algo no alimento ou é como o alimento está realmente sendo metabolizado? Essa é uma característica realmente importante, a conexão entre o intestino, nossa comida e o cérebro;
- Estresse e enxaquecas. O estresse por si só não causa nenhuma doença, mas pode contribuir para tipos diferentes de condições. Vemos isso em condições autoimunes. Como nossos corpos respondem ao estresse e algumas pessoas têm uma predisposição genética para serem mais resilientes ao estresse, e algumas pessoas não. Algumas pessoas que passam por um período muito estressante, de repente, têm uma enxaqueca completa. O que é isso? O que está acontecendo aí? Acho que é como essa pessoa percebe o mundo e como ela desintoxica seu estresse. Os betabloqueadores, que bloqueiam a adrenalina têm um papel nesses casos, mas o ideal é aprender manejar o estresse quando há reações muito desproporcionais às situações como acontece no TEPT cujo tratamento é acessar o trauma com técnicas apropriadas como o EMDR e Brainspotting. Esses pacientes podem ter níveis altos de cortisol;
- Há muitos sintomas que as pessoas têm que podem estar relacionados ao intestino hiperpermeável(Leak-Gut) e sensibilidades alimentares, que parecem ser um fator importante com enxaquecas que muitas vezes não são diagnosticadas de modo adequado. Tradicionalmente se aprende a ficar longe de alimentos com tiramina, queijos, alimentos que contêm certos produtos químicos como glutamato monossódico ou aspartame, chocolate, cafeína, mas há outras sensibilidades alimentares envolvidas que precisam ser investigadas. A conexão entre o intestino e o cérebro é grande e o componente do intestino hiperpermeável é frequentemente encontrado em pacientes com enxaquecas. Definitivamente, há uma comunicação bidirecional acontecendo lá. Um teste de alergia mediada por IgE e IgG pode ajudar a esclarecer. Isso não quer dizer que a enxaqueca de todo mundo é causada por alergias alimentares, mas afastar esse fator é primordial. Alguns desses alimentos estão realmente afetando o microbioma intestinal de uma forma impactante e levando a enxaquecas;
- O sono é outra coisa que desempenha um papel importante e a falta de sono é frequente nas enxaquecas;
- Gatilhos químicos também podem ter um papel nas enxaquecas. Produtos químicos exógenos como glutamato monossódico, aspartame, adoçantes artificiais, aditivos alimentares, sulfitos, tiramina. A glutamina é convertida em glutamato, que é uma excitotoxina. Pacientes ficam muito agitados e terão dor de cabeça. Adoçantes nos refrigerantes diet. Nitratos que estão nos frios. Sulfitos são comumente adicionados a saladas para manter os vegetais frescos ou frutas secas ou no vinho. Tiramina, que está no chocolate, queijo;
- Fatores hormonais influenciam nas enxaquecas relacionadas com a menstruação. Esses pacientes parecem ter problemas com a metabolização do estrogênio. Existem certas vias que ajudam na desintoxicação do estrogênio. Um dos genes que é importante é o gene catecol-O-metiltransferase ou COMT, e normalmente esse gene é frequentemente associado ao aumento da sensibilidade à dor. Também está associado ao aumento da sensibilidade a enxaquecas, convulsões e dores de cabeça. Essa via precisa ser apoiada com co-fatores do vitaminas B, como B6, B12, magnésio. Essas mulheres também costumam ter sintomas de TPM com inchaço, retenção de líquidos, desejos de carboidratos/chocolate, irritabilidade, sensibilidade nos seios, cólicas menstruais e algumas tem sangramento intenso. Esses são sinais de muito estrogênio e pouca progesterona. A progesterona é o “ansiolítico” natural das mulheres. Ela funciona no cérebro nesses receptores chamados GABA e faz você relaxar, o que realmente ajuda as mulheres a dormir, acalmar o sistema nervoso, lidar com algumas dessas flutuações de humor que acontecem com altos níveis de estrogênio.
Nosso estilo de vida impulsiona o estrogênio com excesso de açúcar, de laticínios, cafeína, estresse, falta de exercícios, microbioma intestinal disbiótico, toxinas ambientais.
Como a acupuntura pode ajudar na enxaqueca?
Este método, enraizado na Medicina Tradicional Chinesa, envolve a inserção de agulhas finas em pontos específicos do corpo para estimular o sistema nervoso e promover a cura/homeostase do corpo.
Como a acupuntura funciona?
Alívio da dor: acredita-se que a acupuntura estimule a liberação de endorfinas, os analgésicos naturais do corpo, o que ajuda a reduzir a percepção da dor.
Redução da inflamação: ao atingir pontos específicos, a acupuntura pode ajudar a reduzir a inflamação e o inchaço no corpo, que são contribuintes comuns para dores de cabeça e enxaquecas.
Melhoria da circulação sanguínea: a circulação aprimorada ajuda na melhor oxigenação e fornecimento de nutrientes aos tecidos, o que pode aliviar os sintomas da dor de cabeça.
Redução do estresse: a acupuntura é conhecida por ter um efeito calmante no sistema nervoso, reduzindo o estresse e a tensão, que geralmente são gatilhos para dores de cabeça e enxaquecas.
Regulação do equilíbrio hormonal: particularmente eficaz em enxaquecas desencadeadas por alterações hormonais, a acupuntura pode ajudar a equilibrar os hormônios do corpo associada à dieta e à fitoterapia chinesa (plantas medicinais).
Quais os benefícios da acupuntura para dores de cabeça e enxaquecas?
Prevenção e redução da frequência: sessões regulares de acupuntura demonstraram reduzir a frequência e a intensidade de enxaquecas e dores de cabeça.
Natural e holístico: a acupuntura é uma abordagem sem medicamentos, oferecendo uma alternativa natural ou complementar aos tratamentos médicos tradicionais.
Tratamento personalizado: cada plano de tratamento na clínica é adaptado aos sintomas e gatilhos específicos do indivíduo, fornecendo uma abordagem personalizada para o alívio da dor.
Cada um é diferente e temos que tratar a pessoa, não a doença. William Osler disse que devemos tratar a pessoa que tem a doença, não a doença que a pessoa tem.

CRM 61.696-SP | Médica formada há 37 anos utiliza a abordagem da MEDICINA FUNCIONAL (visão do ser humano nos seus aspectos físico, mental, emocional e existencial) aliada ao uso da ACUPUNTURA, da FITOTERAPIA CHINESA e da PSICOTERAPIA para tratar a pessoa de acordo com suas necessidades em uma visão integrativa para retomar /manter a saúde.