
O eixo Microbiota-Intestino-cérebro (MIC) é a comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro, que ocorre por meio de várias vias que incluem mediadores hormonais, neurais e imunológicos.
Curiosamente, os sinais ao longo deste eixo podem se originar no intestino, no cérebro ou em ambos, com o objetivo de manter a função intestinal normal e o comportamento adequado.
No entanto, os cientistas investigam se as alterações cerebrais e comportamentais precedem a disfunção intestinal e disbiose [desequilíbrio da microbiota intestinal], ou vice-versa. Ou seja, quem vem primeiro?
“É importante reconhecer que muitas vezes quando há inflamação em outras áreas do corpo, ela pode estar vindo do sistema digestório”, diz Dra. Elizabeth Boham do Institute of Functional Medicine (IFM). “Todos os sistemas do corpo estão interligados.”
Nas últimas décadas, vários pesquisadores trabalharam para desvendar as delicadas conexões entre a Microbiota Gastrointestinal (MGI) humana e o cérebro.
A comunicação bidirecional ao longo do eixo Microbiota-Intestino-Cérebro (MGB) envolve muitos sistemas orgânicos, incluindo os sistemas endócrino, imunológico, sistema nervoso autônomo (Simpático e Parassimpático), Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Entérico (SNE), com a microbiota intestinal influenciando essas interações.
O SNE tem autonomia para operar as funções gastrointestinais independentemente do SNC.
As conexões entre o cérebro e o intestino são abundantes, o que pode ser visto nas disfunções que frequentemente os unem. Muitos distúrbios neurológicos e de humor costumam ter manifestações entéricas; distúrbios gastrointestinais podem apresentar sintomas neurológicos e psiquiátricos, e o estresse psicológico pode afetar negativamente o equilíbrio do microbioma e as funções gastrointestinais.
Sabemos que o intestino e o cérebro estão em constante comunicação através de um sofisticado sistema de sinalização, e sem dúvida a microbiota intestinal tem um papel importante nela.
O que sabemos até aqui sobre o eixo intestino-cérebro dentre outros:
A comunicação entre o intestino e o cérebro é bidirecional e dinâmica |
A microbiota intestinal pode afetar o cérebro de diferentes formas incluindo mudanças nos neurônios do Sistema Nervoso Entérico e do nervo Vago (X par craniano) |
Ao se alterar as bactérias do intestino de ratos, altera-se o comportamento e a cognição |
Os ácidos graxos de cadeia curta (butirato, acetato e propionato) produzidos pela microbiota intestinal influenciam na função e no desenvolvimento das células cerebrais em ratos |
Alguns probióticos (boas bactérias) mostram potencial em influenciar a atividade cerebral em adultos saudáveis |
Pacientes com doenças neurodegenerativas (que acometem o sistema nervoso central e periférico) mostram uma microbiota intestinal alterada e comumente apresentam queixas gastrointestinais |
CONCEITOS CHAVES DO EIXO MICROBIOTA-INTESTINO-CÉREBRO
Microbiota intestinal | Ecossistema microbiano dentro do trato gastrointestinal que é essencial para o bem-estar |
Disbiose | Estado patogênico do trato gastrointestinal marcado por uma microbiota diminuída que pode ser causado por uma variedade de fatores incluindo dietas ricas em alimentos altamente processados, falta de sono regular e estresse psicossocial |
Eubiose | Estado equilibrado e saudável marcado por uma alta diversidade e abundância de populações microbianas no trato gastrointestinal |
Permeabilidade intestinal | Como os bons nutrientes atravessam a parede intestinal em direção à corrente sanguínea |
Diversidade microbiana | Descreve a diversidade de populações microbianas medida em números de gêneros. Uma microbiota mais diversa leva a um intestino mais equilibrado e saudável |
Prebióticos | Alimentos que estimulam seletivamente certas populações bacterianas no intestino. |
Probióticos | Alimentos que contém bactérias vivas benéficas ao hospedeiro |
Psicobióticos | Subgrupos de probióticos que contribuem para a saúde mental |
O QUE DEFINE UM INTESTINO SAUDÁVEL?
Uma diversidade da microbiota intestinal (Eubiose) contribui para o bom funcionamento intestinal.
Um intestino saudável trabalha permitindo que somente nutrientes (aminoácidos, glicose, ácidos graxos, vitaminas e minerais) passem através da barreira intestinal mas bloqueia a passagem de grandes partículas alimentares, de patógenos (bactérias, vírus, fungos e parasitas).
O QUE DEFINE UM INTESTINO NÃO SAUDÁVEL?
Uma microbiota reduzida e com menos diversidade (Disbiose) contribui para um funcionamento inadequado intestinal.
Vários fatores contribui para a quebra das tight junctions (junções entre as células intestinais) o que propicia que partículas alimentares digeridas inadequadamente e patógenos atravessem a barreira intestinal, ativem o sistema imune causando inflamações e sensibilidades alimentares- Hiperpermeabilidade Intestinal ou “Leaky Gut”.
Uma das principais funções do intestino é absorver nutrientes. A microbiota saudável é crucial na absorção dos nutrientes.
Na disbiose intestinal há um excesso de formação de muco.
Se houver um supercrescimento da chamada flora “ruim” (SIBO [Small Intestinal Bacterial Overgrowth]=Supercrescimento de bactérias Intestinais) e/ou (SIFO= supercrescimento de fungos intestinais), ocorre excesso de gases, distensão das alças intestinais. Isso pode impactar na absorção dos nutrientes ingeridos.
MAS O QUE CAUSA A DISBIOSE?
Alguns fatores que levam a um intestino não saudável incluem falta de fibra na dieta alimentar, uso excessivo de antibióticos, alimentos processados, toxinas ambientais e estresse psicossocial dentre outros.
Há muitas evidências demonstrando que o estresse psicossocial pode afetar a microbiota intestinal e vice-versa.
Em estudos em animais, uma microbiota saudável é associada com uma melhor habilidade de resposta ao estresse; já uma microbiota em desequilíbrio, prejudica a resposta ao estresse.

EIXO MICROBIOTA-INTESTINO-CÉREBRO: UM SISTEMA DE COMUNIÇÃO COMPLEXO
Há muitas vias de comunicação entre o cérebro e a microbiota intestinal. Algumas dessas vias incluem:
VIA NEURAL | via nervo vago que é um dos elementos chave dessa conexão. Ele envia sinais em ambas as direções. 80% da informação transmitida pelo nervo vago flui do corpo para o cérebro (fibras nervosas aferentes). 20% da informação transmitida pelo nervo vago flui do cérebro para o corpo (fibras nervosas eferentes). Suprime inflamação pelas vias que liberam acetilcolina. Ajuda a controlar a ansiedade e depressão via equilíbrio com o sistema nervoso simpático. Suas ações no sistema digestório incluem: estimula fluxo de saliva, a liberação de bile, os movimentos intestinais e as suas secreções. Ele controla ainda alguns músculos importantes na deglutição. |
VIA NEUROENDÓCRINA | via ativação do eixo HPA e sistema nervoso simpático no estresse com liberação de cortisol e adrenalina afetando o funcionamento intestinal. |
VIA MICROBIOTA | produção de metabólitos e neurotransmissores [serotonina, dopamina, GABA] |
VIA SISTEMA IMUNE | produção de citocinas inflamatórias |
COMO A CRIAR UM ECOSSISTEMA EQUILIBRADO?
A Dra. Elizabeth Boham usa o mnemônico DIGIN da Medicina Funcional na avaliação e abordagem terapêutica nos distúrbios digestivos e sistêmicos de seus pacientes:
Principais aspectos e papéis funcionais do intestino
D | Digestion/Absorption [Digestão/Absorção] | Se a digestão dos alimentos e absorção dos nutrientes não estiverem adequadas pode haver deficiências nutricionais e isso impactar, por exemplo, na produção de energia e de neurotransmissores |
I | Intestinal Permeability [Permeabilidade Intestinal] | A barreira intestinal funciona ao mesmo tempo como um filtro deixando passar os nutrientes e impedindo a passagem de agressores. Se hiperpermeável, deixa passar moléculas mal digeridas e micróbios, o que favorece inflamação local e em todo corpo |
G | Gut Microbiota/Dysbiosis [Microbiota intestinal/Disbiose] | A microbiota intestinal saudável tem várias funções importantes na sobrevivência do individuo. Alimentação variada em alimentos frescos e rica em fibras favorece diversidade e relativa abundância microbial [Eubiose]. Alimentação pouco variada e rica em alimentos processados leva a redução na diversidade e na quantidade microbial [Disbiose] relacionadas a inflamação sistêmica e a diversas doenças |
I | Immune modulation/Inflamation [modulação Imune/Inflamação] | Todos os fatores mencionados acima podem levar a uma ativação do sistema imune favorecendo inflamação local e sistêmica |
N | Nervous System [sistema Nervoso) | Todos os sistemas do corpo estão interligados. A inflamação no trato digestório pode gerar neuroinflamação que por sua vez pode levar a neurodegeneração[presentes nas doenças neurológicas] e a alterações no comportamento do individuo[presentes nos transtornos psiquiátricos] |
Levando em consideração a relação bidirecional do eixo Microbiota-Intestino-Cérebro pode-se implementar estratégias de tratamento individuais.
Associação de terapias que, visam a restauração da saúde do trato digestório, com medidas de redução do estresse psíquico, pode auxiliar no tratamento de algumas doenças crônicas.
Vide artigos nesse site:
“Alzheimer- Até onde podemos ajudar?”
“Esclerose múltipla – Uma abordagem integrativa”
“Depressão- causas e possíveis tratamentos”
“Depressão e genética- existe uma possível relação?”
“Ansiedade -Problema identificado – Quais as prováveis causas?”
“Ansiedade- O que é? Como age no nosso corpo?”
“Dor- um sintoma de múltiplas causas…”
O QUE FAZEMOS NA CLÍNICA COMO SUPORTE AO EIXO MICROBIOTA-INTESTINO-CÉREBRO?
Utilizamos em nossa clínica algumas ferramentas de investigação e suporte:
1. Avaliação clínica e com exames complementares da Medicina Funcional para investigação de alergias alimentares ocultas, do funcionamento da destoxificação hepática, da produção de energia pela mitocôndria |
2. Avaliação clínica e com exame complementar da Medicina Funcional da composição e alterações da flora intestinal |
3. Programa 5Rs – Vide nesse site: “Microbiota Intestinal- Qual a importância para a sua saúde?” |
4. Orientação alimentar com alimentos nutritivos e que auxiliem no equilíbrio do organismo; Adequação da digestão dos alimentos; Melhora da absorção dos nutrientes provenientes da alimentação para chegada em todos os órgãos do corpo “Somos o que comemos, digerimos e absorvemos” |
5. Equilíbrio da microbiota intestinal com pré e probióticos |
6. Correção do sono reparador importante na recuperação da imunidade – Vide nesse site: “Por que nós dormimos?” |
7. Reposição de vitaminas e minerais deficientes de acordo com os exames laboratoriais que auxiliam na recuperação da energia |
8. Uso de plantas medicinais ocidentais e orientais que modulam o sistema imune, ajudam no sono reparador e no combate ao estresse e auxiliam na recuperação da energia. |
9. Uso da acupuntura que libera endorfinas e auxilia na função do sistema imune, descongestiona as vias respiratórias, combate inflamação e alivia dores, acalma a mente, etc. Vide nesse site: “Acupuntura: indicações” |
10. Redução do estresse psíquico e suas consequências que desgastam o organismo via alterações no Sistema PsicoNeuroImunoEndocrinológico com tratamento psicoterápico usando as técnicas de EMDR e Brainspotting (Brain Therapy) baseadas na neurociência de como o cérebro funciona. Vide nesse site: “Trauma- como podemos ajudar”; “EMDR-Uma Psicoterapia Revolucionária”; “ O que é Brainspotting- Esse método pode equilibrar o. nosso sistema?” |

CRM 61.696-SP | Médica formada há 37 anos utiliza a abordagem da MEDICINA FUNCIONAL (visão do ser humano nos seus aspectos físico, mental, emocional e existencial) aliada ao uso da ACUPUNTURA, da FITOTERAPIA CHINESA e da PSICOTERAPIA para tratar a pessoa de acordo com suas necessidades em uma visão integrativa para retomar /manter a saúde.